Assim que a Câmara Legislativa votou pela aceitação do processo de impeachment do governador afastado do Distrito Federal, José Roberto Arruda (sem partido, ex-DEM), o Supremo Tribunal Federal (STF) iniciou o julgamento do seu pedido de habeas corpus.
Às 23h da última quinta-feira (04/03), os ministros STF decidiram, por nove votos a um, pela manutenção da prisão preventiva do governador. O único voto favorável à concessão de liberdade de Arruda foi do ministro Dias Toffoli.
O primeiro ministro do STF a votar foi o relator do caso, ministro Marco Aurélio Mello. Em seu voto, ele recomendou a manutenção da prisão de Arruda, argumentando que ele tentou atrapalhar as investigações e que, por isso, deveria permanecer preso.
Seguindo o voto do relator, os ministros Joaquim Barbosa, Carlos Ayres Britto, Cezar Peluso, Celso de Mello, Ellen Gracie, Cármen Lúcia, Ricardo Lewandowski, e o presidente do STF, Gilmar Mendes, entenderam não haver fatos novos na tese elaborada pelos advogados para conceder o pedido de liberdade ao governador.
O ministro Carlos Ayres Britto resumiu o sentimento da sociedade brasileira diante do escândalo envolvendo Arruda. “Dói em cada um de nós, dói na alma, dói no coração ver um governador sair de um palácio direto para a cadeia”, afirmou. “Acabrunha um país como um todo e constrange a cada um de nós, com seres humanos. Há quem chegue às maiores alturas para cometer as maiores baixezas”, complementou.
Arruda foi afastado do GDF e preso no dia 11 de fevereiro por determinação do Superior Tribunal de Justiça (STJ), acusado de tentar subornar uma testemunha do suposto esquema de corrupção em seu governo.
Na última quarta-feira (03/03), um dia antes do julgamento no STF, o governador preso enviou à Câmara Legislativa uma carta solicitando a licença do cargo enquanto durar o inquérito nº 650, em trâmite no STJ. “O que eu esperava era uma carta de renúncia e não apenas de afastamento”, lamentou o Deputado Paulo Tadeu, líder do PT. “Esse apego de Arruda ao poder nos assusta”, acrescentou.